domingo, novembro 20, 2005

Varanasi

Varanasi ou Benares é um local sagrado há milhares de anos.


Os Hindus acreditam que se morrerem aqui serão libertados do eterno ciclo da reencarnação. Se banhar-se nas aguas do Ganges é sempre purificador, aqui o efeito é multiplicado. Muitos vem aqui melhorar o seu karma, ou vem para morrer.


O fumo das piras de cremacão a ceu aberto invade o ar a todas as horas. Cheira a madeira acre que pica nos olhos e na garganta...

Os Budistas acreditam que Buddha deu o seu primeiro sermão a poucos km daqui, em Sarnath.

Peregrinos em Sarnath.

Para qualquer pessoa que visite a cidade, a energia de milénios de oração, os templos, o Ganges... É quase palpável.

ghats - os degraus que dão acesso à água, vistos desde o Ganges

Durante a madrugada, desde o nascer do sol até às 8h da manhã, Varanasi pertence às esperanças de gerações e gerações de peregrinos, pertence aos rituais, às cremações, às ofertas de flores e arroz. Pertence à deusa Ganges que corre desde o mundo dos deuses ao sub-mundo e carrega no seu leito as preces de amor, de felicidade, de justiça...

Pertence aos monges que meditam nas suas margens, aos yogis que saudam o nascer do sol, aos sadus que se despertam com as primeiras luzes.

Sadus ou Homens Santos dedicam a sua vida a procura da iluminacao, do sentido da vida. Vivem com pouco ou nada, da caridade dos outros.

Pertence-me a mim, que procuro aqui algo que nem sei bem o que é mas que sinto me enche a alma com cada amanhecer à beira rio.


Depois... depois é hora de pensar nas preocupacoes mais mundanas da vida e deixar passar o turismo e todos os seus actores.

Turismo... essa forca criadora de riqueza económica e destruidora de tudo o resto (em alguns casos...) Nos ghats (degraus que dão acesso à agua) há mais vendedores, massagistas e barqueiros do que pessoas normais. Todas as crianças pedem dinheiro, canetas... claramente não precisam de nada, pedem por reflexo, porque turista no circuito mais comum na Índia quer dizer dinheiro...

Ao fim do dia assisto a uma cerimonia que me desilude pela sua magnitude.


5 brahmans vestidos cada um de sua cor realizam em sincronia a oferta de flores, incenso e doces à deusa Ganges. A musica estridente que os altifalantes vomitam até nem me incomoda, a final este é um povo barulhento. Mas a encenação, a sincronia, os flashes das máquinas fotográficas... da minha máquina fotográfica...

Mas nem tudo está perdido! No dia seguinte, mais longe do ghat principal, encontro uma puja mais simples, com uma assistencia mais real.



No entanto, só em Rishikesh sentirei pela primeira vez a linguagem universal que caracteriza estas cerimónias.